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Presidente da Toesa e gerente estão na sede da PF para depor sobre escândalo

23 mar 2012, 12h17

Fonte: Agência O Globo

RIO - O presidente da Toesa, David Gomes, e o gerente Cassiano Lima estão na sede da Polícia Federal (PF), na Zona Portuária, onde vão depor sobre o escândalo das fraudes em licitações públicas em hospitais do Rio, revelado pelo "Fantástico". A PF abriu quatro inquéritos para investigar as denúncias. Na quinta-feira, o presidente da Comissão Especial de Combate à Corrupção e Impunidade da OAB nacional, Paulo Henrique Falcão Breda, defendeu que a investigação sobre as empresas flagradas não se limite aos inquéritos da PF. Segundo ele, as gravações mostram o fio da meada de um problema muito maior:

- Eles falam como se a propina fosse uma prática recorrente. Ensinam como fazer para que o gestor público ganhe dinheiro para contratar a empresa. Tem que ser feita uma investigação de todos os contratos firmados por essas empresas com órgãos públicos. Os ministérios públicos e a Polícia Civil também precisam entrar no caso, verificar contrato por contrato. Se virem qualquer inconsistência, precisam saber se foi por equívoco ou dolo, e quebrar o sigilo bancário dos envolvidos. Se uma licitação tem um erro, é preciso saber se o responsável pela compra recebeu um valor suspeito na conta bancária em datas próximas.

O Ministério Público estadual informou que já existem investigações sobre contratos das empresas e que tramitam na Justiça pelo menos nove casos. Na quinta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou à Controladoria Geral da União (CGU) que investigue nove contratos firmados entre a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal com duas das empresas denunciadas pela reportagem. Os contratos, que vigoraram entre 2000 e 2010, totalizam R$ 2,6 milhões e foram firmados com a Toesa Service Ltda e a Locanty Serviços Ltda. A auditoria foi solicitada ao controlador-geral da União, Jorge Hage, na quarta-feira, e vai analisar pagamentos para prestação de serviços de manutenção preventiva, corretiva, reboque e assistência técnica de veículos. Os contratos também previam serviços de limpeza, conservação e de copeiros.

O maior dos nove contratos foi firmado com a Toesa para serviços na Superintendência da PF no Rio, em 2002, totalizando R$ 650 mil. O menor, de R$ 14 mil, foi assinado em 2005, também pela Superintendência da PF no Rio, com a Locanty, para coleta de lixo e retirada de entulho.

Gerente da Rufolo diz que só falará em juízo

Na quinta-feira, apenas duas das sete pessoas convocadas pela PF para prestar depoimento sobre o escândalo compareceram à sede do órgão. Uma delas foi Renata Cavas, gerente da Rufolo. Ela chegou de óculos escuros e, apesar do calor, de casaquinho. Renata, que apareceu desinibida e falante na gravação do "Fantástico", explicando que negociar propina é "a ética do mercado", estava mais contida. No lugar das estampas de oncinha e cores berrantes com as quais negociou vantagens ao repórter disfarçado de gestor, optou por um vestido de poá. De cabelos mais escuros, também preferiu se manter em silêncio e afirmou que só falará em juízo. Além de Renata, compareceu à sede da PF na tarde de quinta o sócio-diretor da Locanty, João Barreto. Na quarta-feira, quem prestou depoimento foi o presidente da Bella Vista, Adolfo Maia.

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