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PM confessa tiros, mantém mandante e diz que tentaram matar juíza outras 2 vezes

18 nov 2011, 10h47

Após cinco audiências para oitiva de testemunhas sobre a morte da juíza Patrícia Lourival Acioli, o juiz Peterson Barroso Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, iniciou hoje os interrogatórios dos PMs acusados da execução. O primeiro a ser ouvido foi o cabo Sérgio Costa Junior, que recebeu os benefícios da delação premiada em caso de possível condenação.

Vida policial – O cabo informou que está na PM há nove anos e estava lotado no 7º Batalhão há pouco mais de um ano. A convite do tenente Daniel Benitez Lopez – principal acusado de ser o mandante do crime – passou a integrar o Grupamento das Ações Táticas desde janeiro. Os também PMs e réus sargento Tavares, soldado Medeiros e cabos Ribeiro, De Araújo, Carlos, Sammy e Falcão também integravam o GAT.

Costa Junior disse ao juiz que Benitez Lopez teria encomendado a morte da juíza a milicianos em maio deste ano, mas a “negociação” não prosperou – por isso o crime teve que ser cometido pelos próprios policiais do GAT. Alguns policiais, segundo o réu, teriam se negado a participar da execução.

Os policiais tentaram por duas vezes matar Patrícia Acioli, antes da consumação do crime. A primeira foi cerca de 15 dias antes do crime; a segunda foi na noite anterior, em 10 de agosto. A execução da noite anterior foi suspensa pois a magistrada não teria ido ao Fórum de São Gonçalo.

Dia do crime – O cabo da PM informou que era muito forte o boato, no dia do crime, de que a juíza decretaria sua prisão e de outros policiais envolvidos em acusação de auto de resistência (morte de suspeito que teria, supostamente, enfrentado policiais militares) em junho deste ano. Havia receio de que Acioli determinasse a prisão de todos os policiais do GAT.

Explicou o autor dos disparos contra a juíza: "Através dessas informações, eu e o tenente Benitez, na parte da tarde, passamos em frente ao fórum para saber se a juíza se encontrava lá", apontou. Ele e Benitez chegaram a ir a casa da juíza para assegurar que ela não estava lá. Por volta das 21 horas, ambos na companhia do cabo Falcão chegaram ao Fórum de São Gonçalo e aguardaram a saída da juíza.

Ligação da advogada – O réu explicou que, logo em seguida, viram a advogada deles saindo do fórum e telefonaram para ela: "Neste momento, a gente ficou sabendo que a Dra. Patrícia teria decretado a nossa prisão preventiva e que ela estava no Fórum", revelou. O policial contou que todos os PMs teriam ficado “muito revoltados” com a decisão.

Quando Patrícia Acioli saiu do fórum, Sérgio e Benitez seguiram a juíza de carro e Falcão de moto – o terceiro policial não chegou à casa da magistrada, entretanto. Ao ter certeza que Acioli iria para casa, eles ultrapassaram a juíza e foram esperá-la defronte à sua casa.

Tiros – Os disparos contra a juíza foram iniciados quando ela iniciava a parada do carro na frente de casa. O policial explicou que sua arma (calibre 45) teria apresentado uma “pane” e por isso ele sacou outra (calibre 40): "Como não tinha certeza se ela já tinha morrido, saquei a outra arma e efetuei mais disparos", confessou Sérgio Costa Junior.

Indagado por Barroso Simão sobre o motivo de tantos tiros (a juíza foi atingida por 21 disparos), o réu justificou que se sentiu injustiçado pela decisão de Patrícia Acioli de decretar sua prisão: "No momento, eu fiquei muito chateado e revoltado com a situação porque eu não respondia a nenhum auto de resistência antes. Me senti injustiçado e resolvi executá-la". O policial declarou que “minutos depois” se arrependeu do crime.

Fato Notório

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